Um gesto de solidariedade e amor ao próximo marcou o Hospital Santa Ignês Indaiatuba no dia 4 de abril de 2026. A unidade realizou sua primeira doação de órgãos e tecidos do ano, possibilitando transformar a vida de pacientes que aguardavam na fila única de transplantes no Brasil.

A captação dos rins e das córneas foi realizada pelas equipes da Organização de Procura de Órgãos (OPO), após a confirmação de morte encefálica de um paciente de 37 anos, morador de Indaiatuba. O processo só foi possível graças à autorização da família, que, mesmo diante da dor da perda, escolheu transformar o luto em esperança para outras pessoas.

Segundo o coordenador da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Santa Ignês Indaiatuba, Dr. Saulo Oliver Júnior, a conclusão do protocolo representa um marco importante para a instituição e para toda a equipe assistencial envolvida.

“Esse foi o primeiro paciente que acompanhei em todo o protocolo de morte encefálica até a sua conclusão. No Brasil, a legislação é muito rigorosa, e enquanto não há a comprovação completa, não é possível seguir para a captação. Conseguir concluir esse processo foi uma conquista profissional e pessoal”, destaca o médico.

Após a confirmação da morte encefálica, equipes especializadas são acionadas para dar continuidade ao processo de avaliação, captação e destinação dos órgãos. Todo o fluxo é coordenado pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde estadual, seguindo protocolos regulamentados pelo Ministério da Saúde.

A importância da autorização familiar

Um dos momentos mais delicados do processo é a conversa com a família, conduzida de forma humanizada e acolhedora pelas equipes médicas.

“Após a confirmação, conversei com a família, comuniquei a perda e expliquei que, diante de se tratar de uma pessoa tão jovem, existia a possibilidade de ajudar outras pessoas por meio da doação”, relata Dr. Saulo.

Durante a conversa, os familiares compartilharam que o paciente já havia manifestado em vida o desejo de ser doador. “Mesmo em meio à dor, compreenderam a importância desse gesto e autorizaram a doação”, completa.

No Brasil, a legislação determina que a autorização familiar é indispensável para a realização da doação de órgãos em casos de morte encefálica. Por isso, especialistas reforçam a importância de comunicar à família o desejo de ser doador ainda em vida.

Um gesto que transforma vidas

A doação realizada no Hospital Santa Ignês Indaiatuba beneficiou diretamente quatro pessoas: duas voltaram a enxergar graças ao transplante de córneas e outras duas deixaram a hemodiálise após receberem os rins doados.

“Perdemos um paciente, mas conseguimos ajudar outras pessoas. Isso mostra o quanto a doação de órgãos pode transformar vidas”, afirma o coordenador da UTI.

Atualmente, podem ser doados órgãos como coração, fígado, pulmões, intestino, pâncreas e rins. Entre os tecidos que podem ser transplantados estão córneas, pele, ossos e válvulas cardíacas. Em vida, também é possível doar um dos rins, parte do fígado, medula óssea e, em alguns casos, parte do pulmão.

Marco importante para o Hospital Santa Ignês

Foto: OPO

Para o Hospital Santa Ignês Indaiatuba, o momento representa um importante avanço no fortalecimento dos protocolos assistenciais e na retomada desse tipo de atendimento na instituição.

“Essa foi a primeira captação realizada no Hospital nos últimos três anos. Foi diferente, foi marcante. Fico muito feliz por termos conseguido conduzir todo o processo. Com a doação de órgãos conseguimos levar esperança para outras famílias”, destaca a gestora administrativa do Hospital, Nadia Jacomassi.

O trabalho das equipes envolvidas também recebeu reconhecimento da Organização de Procura de Órgãos (OPO), que destacou oficialmente a dedicação, integração e profissionalismo dos profissionais do Hospital Santa Ignês Indaiatuba durante todo o processo de captação.

Mais do que um procedimento médico, a doação de órgãos representa um ato de amor, empatia e solidariedade. Uma decisão capaz de transformar perdas em novos recomeços e oferecer uma nova chance de vida para muitas famílias.

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